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Alimentação intuitiva: conheça a abordagem que promete melhorar sua relação com a comida

24 de junho de 2019

Método nutricional tem como princípios comer apenas quando houver fome, fazer as pazes com a comida e entender o valor cultural das refeições.

Que contar calorias, que nada. Com tantas dietas restritivas, para não dizer desvairadas, saber de uma abordagem que tem na comida uma aliada é um alívio. Trata-se da alimentação intuitiva, ou intuitive eating. Afinal, fazer uma refeição, muito mais do que uma necessidade biológica de ingestão de nutrientes, é também um ato que carrega significados sociais. É justamente a partir dessa ideia que funciona esse método.

O que é alimentação intuitiva?

A alimentação intuitiva busca atender necessidades físicas, psicológicas e sociais. Segundo Lara Natacci, nutricionista, mestre e doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, os dez princípios da alimentação intuitiva são:

1. Rejeite a mentalidade da dieta: esqueça dietas restritivas e de moda

2. Honre sua fome: coma quando tiver fome, pare de comer quando estiver saciado

3. Faça as pazes com comida: dê a si mesmo a permissão incondicional para comer sem classificar alimento algum como proibido

4. Desafie a polícia alimentar: não permita autocríticas sobre sua alimentação

5. Respeite sua plenitude: identifique seus sinais de saciedade. Se possível, faça uma pausa no meio da refeição para entender se ainda está com fome.

6. Descubra o prazer e a satisfação de realizar uma refeição que você aprecia

7. Honre seus sentimentos sem usar comida: encontre maneiras de obter conforto e resolver problemas sem envolver a comida, para evitar fome emocional

8. Respeite seu corpo e aceite-o como ele é

9. Pratique exercícios para se sentir em movimento, energizado, sem focar na perda de peso

10. Honre sua saúde: faça escolhas alimentares que te façam sentir-se bem. Lembre-se de que você não precisa ter uma dieta perfeita para ser saudável.

Ressignificando a comida

Criado por duas nutricionistas, Evelyn Tribole e Elyse Resch, em 1995, o método busca uma mudança na relação com a comida, sempre com acompanhamento de um profissional da nutrição. “Ao evitar a dieta, a restrição, a classificação de alimentos como proibidos e permitidos, evita-se também estresse, ansiedade e outras emoções negativas ligados ao consumo alimentar”, explica a nutricionista. “Ela ajuda pessoas a se curarem dos efeitos colaterais da dieta crônica”, complementa Monica Batista, biomédica esteta especializada em Harvard em nutrição e ortomolecular.

“Pessoas que repetidamente fazem dieta muitas vezes experimentam o silenciamento dos sinais de fome. A oscilação entre períodos de jejum e de excesso de comida pode deturpar a escuta, levando a não respeitar os sinais fisiológicos, algo que ocorre frequentemente pelo medo de engordar. Prolongar esse processo pode desencadear crises de compulsão alimentar, o que perpetua o ciclo de ausência/excesso de alimento e, na maioria das vezes, cria culpa”, analisa Monica.

Para entender melhor quanta fome você realmente sente, além da indicação de fazer uma pausa durante a refeição e comer sem pressa, saboreando com calma os alimentos, é interessante manter um diário alimentar. Anotações sobre horários, quantidades de comida, quais alimentos foram ingeridos e as sensações trazidas por eles é uma forma de conhecer o impacto da comida em seu organismo. Você fica mais ansiosa ao tomar café ou comer chocolate, por exemplo? Os dados podem trazer informações para determinar o que faz mais sentido para sua rotina de alimentação intuitiva.

A alimentação intuitiva é transformadora, porém não milagrosa

A nutricionista Lara Natacci explica que “segundo as criadoras do método, se você quer manter seu peso ou perder alguns quilos, a alimentação intuitiva é a estratégia ideal. Se você teve pouca sorte com dietas restritivas no passado, ela pode ajudá-lo a repensar sua abordagem quanto aos alimentos. Mas se você é obeso ou apresenta problemas de saúde que tenham relação com alimentação, o melhor é ter acompanhamento médico e nutricional.”

Monica Batista, biomédica esteta especializada em nutrição, assina embaixo. Ela explica que a nutrição comportamental é uma abordagem científica relativamente nova, que inclui “aspectos fisiológicos, sociais e emocionais da alimentação e tem como objetivo principal ampliar a atuação do profissional e quebrar alguns paradigmas da rígida visão atual do saudável e do não saudável.” As fronteiras dos benefícios da alimentação intuitiva, portanto, ainda são nebulosas, e estudos que comprovam os bônus do método seguem escassos.

Além disso, no caso de pessoas com transtornos alimentares, há de haver acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, frisa a biomédica. “É preciso investigar, em parceria com um terapeuta comportamental, quais foram os gatilhos que levaram o paciente aos efeitos de desordem alimentar. A partir disso, poderemos juntos traçar uma conduta alimentar adequada.”

Texto: Juliana Cunha

Fonte: Marie Claire

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