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Narcolepsia e Hipersonia: Distúrbios do sono podem ser confundidos com preguiça

26 de outubro de 2017

sonolência

Você é daqueles que sente sono durante o dia ou enquanto faz alguma atividade corriqueira? Precisa tirar um cochilo periodicamente para poder produzir? Sente sono enquanto deveria estar acordado? Pode ser conversa de preguiçoso, mas o que pouquíssimas pessoas sabem é que a sonolência e a preguiça durante o dia podem ser preocupantes, sendo caracterizados como narcolepsia e hipersonia, ambos, distúrbios do sono.

De acordo com a fisioterapeuta Carolina Carmona, especialista em Medicina do Sono da Duoflex, esses distúrbios não são muito fáceis de serem diagnosticados. “A dificuldade em constatar os problemas é que eles podem ser naturalmente confundidos com uma preguiça ou sonolência em demasia, ainda que a pessoa durma bem durante a noite”, explica.

No meio social, por exemplo, os portadores dessas síndromes são tachados pelos familiares ou amigos como preguiçosos, e desenvolvem consequente dificuldade na carreira profissional e no desenvolvimento de atividades sociais. “Em contrapartida, o indivíduo nem sempre sabe que é portador da doença, por isso, nesses casos, é fundamental o apoio psicológico e, claro, a busca por tratamento”, alerta a especialista.

No caso da hipersonia, o paciente deve apresentar os sintomas por pelo menos um mês e esse transtorno deve ter um impacto significativo sobre a vida social. Já as manifestações de narcolepsia, começam geralmente na adolescência, trazendo sérias consequências individuais e sociais. Seu diagnóstico pode demorar vários anos, até que possa ser identificado corretamente. Além disso, é importante ressaltar que a única diferença entre a narcolepsia e a hipersonia é que, neste último, a sonolência não é súbita, como acontece em um quadro de narcolepsia, com a cataplexia (súbita perda da força e controle muscular).

Ainda que não sejam consideradas doenças graves, estes distúrbios são alarmantes, afinal, tendem a acontecer a qualquer momento e em ocasiões inusitadas, entre elas, enquanto a pessoa está dirigindo um automóvel, operando máquinas ou cozinhando, por exemplo. “E isso, com certeza, é preocupante, já que se trata de situações em que o indivíduo está concentrado em uma atividade e extremamente vulnerável”, esclarece Carolina.

Apesar de estarem ligadas ao sono, a narcolepsia e a hipersonia apresentam algumas diferenças. Abaixo, Carolina esclarece dúvidas e fala sobre causas e tratamentos desses distúrbios.

Narcolepsia

É um distúrbio do sono que se caracteriza pelo excesso de sonolência durante os períodos diurnos, mesmo quando o indivíduo tenha dormido normalmente à noite.

Sintomas – O principal sintoma é a sonolência diurna excessiva e os cochilos em situações impróprias ou inadequadas. Além disso, pode apresentar alucinações que se assemelham a sonhos, antes de acordar. Essas alucinações podem envolver a visão, a audição e também outros sentidos do corpo humano. O indivíduo pode não conseguir se mover assim que acorda ou quando começa a dormir. Em casos mais graves, a pessoa pode cair e ficar paralisada por até vários minutos.

Causas – As causas do distúrbio podem ser tanto genéticas quanto externas, e podem ir desde a alteração no equilíbrio existente entre neurotransmissores do cérebro até o estresse.

Tratamento – O portador deve adotar algumas medidas comportamentais como seguir horários regulares para atividades do dia-a-dia, evitar situação de privação de sono noturno e, sempre que possível, tirar cochilos programados de 15 a 20 minutos, duas ou três vezes durante o dia, para facilitar o controle da sonolência diurna. O tratamento farmacológico também é indispensável, mas sempre sob prescrição e orientação médica especializada.

Hipersonia

Também conhecida como sonolência excessiva, é um aumento absoluto das horas de sono, chegando a 25% a mais do que o normal. As pessoas que sofrem desse distúrbio podem cair no sono a qualquer momento, inclusive enquanto estão fazendo atividades cotidianas.

Sintomas – O indivíduo sente sonolência excessiva por pelo menos 1 mês (ou menos, se recorrente), evidenciada por episódios de sono prolongados ou episódios de sono diurno que ocorrem quase que diariamente. Além disso, sente dificuldade de concentração e raciocínio, falta de energia para as atividades dos dia-a-dia e alterações neuropsicológicas e cognitivas.

Causas – As principais causas são anemia, alterações de níveis hormonais, e o uso de antidepressivos, medicações antináusea, analgésicos e sedativos.

Tratamento – O tratamento da hipersonia pode ser feito com medicamentos estimulantes, antidepressivos e mudanças em certos hábitos como, por exemplo, estabelecer horários fixos para dormir e acordar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e cafeína (especialmente à noite) e preparar melhor o ambiente do quarto na hora de dormir, cortando televisão e luzes muito fortes.

Texto: Redação

Fonte: Bonde

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