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O Monge Mordido – Como lidar com atitudes que nos magoam

30 de agosto de 2017

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Muitas vezes é difícil perceber atitudes de pessoas que passam pela nossa vida e nos beliscam a alma provocando uma dor fininha que nos leva a perguntar: “Porquê? O que é que eu fiz para merecer esta atitude?”

Na maior parte das vezes essa atitude vem de pessoas que gostamos, porque a desilusão vem sempre de pessoas que gostamos, não é? Só assim se pode chamar de desilusão, pois com as outras, aquelas que mal conhecemos, não nos podemos desiludir, pois não criamos expectativas nem laços de amor e amizade.

Então, porquê? Porque pessoas que gostamos, a quem demos o melhor de nós, isto é, amor e amizade, porquê essas pessoas se revoltam contra nós, muitas das vezes apanhando-nos desprevenidos e nos fazem sentir magoados? E como devemos nós reagir perante esses comportamentos que nos ferem?

Da mesma maneira, poderemos ter que enfrentar situações em que pessoas que não conhecemos, são desagradáveis connosco. Como passar por essas situações sem que nos sintamos magoados ou incomodados?

Ouve-se muitas vezes esta frase: “Só serás magoado se TU o permitires”. É verdade… Quando nos conhecemos verdadeiramente, sabemos bem qual a nossa essência! Quando temos consciência de que somos do BEM e para o BEM, atitudes de ignorância, desprezo ou ofensa para connosco não nos deveriam atingir, porque nós sabemos quem somos e por isso sabemos que não somos nada de mal que nos queiram fazer passar por SER.

O MONGE MORDIDO

Para refletir ♥

Um monge e seus discípulos, caminhavam por uma estrada quando, ao passar numa ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas de um rio.

O monge imediatamente correu para as margens do rio, avançando para dentro de água e agarrando o escorpião. Ao trazê-lo para fora de água, o escorpião picou-o na mão! Devido à dor, o monge deixou-o cair novamente na água… Dirigiu-se à margem e pegou no ramo de uma árvore, voltando ao rio e resgatando o escorpião.

Após salvar o escorpião, o monge juntou-se aos seus discípulos e prosseguiu o seu caminho; os discípulos estavam perplexos com o que tinham assistido:

– Mestre, o senhor deve estar muito doente! Para que é que foi salvar aquele animal tão mau e venenoso?! Que ele se afogasse! Era menos um!

– Já viu Mestre, a forma como ele respondeu à sua ajuda?! Picou a mão que o salvou! O escorpião não merecia essa compaixão…

O Monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu:

– Ele agiu conforme a natureza dele e eu de acordo com a minha.

Pois na realidade é isto mesmo, cada um reage da forma que É.

Na verdade, se nós não gostamos de determinado comportamento que têm connosco, não está certo responder na mesma moeda, pois não? Afinal estaremos a adotar um comportamento que acabamos de reprovar…

A solução está na forma como permitimos, ou não, que atitudes dos outros nos incomodem ou afetem.

Se alguém tem a capacidade de nos fazer sentir revoltados ou injustiçados, então só essa pessoa nos pode devolver o estado de paz interior, tranquilidade?… Isso é dar poder à outra pessoa! Ainda por cima uma pessoa que não contribuiu para o nosso bem estar! Ah e tal, ofendeu-me fico chateado, para voltar a ficar bem a pessoa tem que pedir desculpa!… Será?… Não, não é! As atitudes dos outros para connosco são da responsabilidade dos outros, sejam elas atitudes boas ou não, a forma como nos sentimos perante isso é da nossa responsabilidade!

Somos nós que nos permitimos SENTIR chateados, revoltados, mal amados, sozinhos, infelizes… Assim como somos nós que nos permitimos sentir amor, perdão, compaixão e paz… NÓS! Nós somos os responsáveis e donos da nossa vida, não os outros!

Quando é o outro que tem culpa sobre o que acontece na minha vida, o outro é que tem culpa porque me fez isto ou disse aquilo, quando culpamos o chefe, o colega, o cão, o gato, o pai, a mãe, o irmão, a irmã, o tio, a tia e o periquito, então estou a assumir que não tenho qualquer responsabilidade sobre a minha própria vida!

“Uma das estratégias mais comuns para não encarar as nossas falhas é culpar os outros.”

Geshe Kelsang Gyatso

As Dicas ♥

Incomodou-nos? Irritou-nos? Quer dizer que estas sensações são NOSSAS, certo? Não são da outra pessoa, pois não? Então… Cabe a nós trocar estes sentimentos por outros que nos acrescem, nos enaltecem, nos fazem SER especiais, como o perdão e a compaixão.

SOMOS OS ÚNICOS COM O PODER DE NOS DEVOLVER PAZ DE NOVO…

Dica 1 ♥

Respirar fundo e pensar: “Não vou responder na mesma moeda porque eu não sou assim! Eu sou amor e paz! Eu não sou raiva nem vingança!”

Dica 2 ♥

Se a pessoa precisa de ajuda, vamos ajudar! Mas tentando sempre nos proteger de forma a que essa pessoa não nos volte a magoar. A melhor forma para nos protegermos é não criar expectativas!

Dica 3 ♥

Ter sempre presente que podemos ter tudo o que desejamos na vida, a todos os níveis, mas se sentirmos raiva / revolta, a felicidade desaparece nesse instante porque esses sentimentos destroem por completo a nossa paz interior.

Dica 4 ♥

Praticar yoga e meditação. Logo após as primeiras praticas começamos a sentir uma melhoria no nosso estado de paz interior, sentimos que não ficamos tão reativos face às adversidades, aprendemos a respirar de uma forma mais profunda que leva a um aporte maior de oxigénio a todas as células do nosso corpo e acima de tudo começamos a nos conhecer melhor. Isto faz com que percebamos as coisas menos boas que temos que melhorar e as melhores caraterísticas de nós mesmos das quais nos temos de orgulhar.

Para terminar:

Esta parábola faz-nos refletir sobre o que afinal queremos para nós, para o nosso Ser, para a nossa versão de nós próprios; ajuda-nos a mantermo-nos focados no Caminho do Bem, a não nos deixarmos contaminar por sentimentos de raiva, tristeza, amargura ou até mesmo sensação de injustiça.

Cada um é como é!

Muitas vezes, as quezílias surgem porque nós e a outra pessoa vemos uma mesma situação de maneira diferente! Basta que não tenhamos os mesmos “sapatos calçados”… eu faço o MEU caminho, só eu sei o que esta nele, o que já vivi e o que encontrei até aqui… foi esse caminho que fez de mim quem eu sou hoje, incluindo as minhas atitudes, forma de estar e perspetiva de vida.

O outro, terá o seu caminho, vivências e experiências um tanto diferentes das minhas, no entanto, são essas vivências e experiências que fazem dele quem ele é, muitas vezes, vivências que levam a estados mentais que perturbam a sua paz interior, como raiva, inveja, apego e que não são mais do que sentimentos que também lhe provocam sofrimento.

Texto: Sissa

Fonte: Dicas da Sissa

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